(Conselho: Não ouça Sixpence quando estiver com problemas emocionais.)
Você já quis esquecer algum momento da sua vida e ao mesmo tempo quis guardá-lo em algum lugar dentro de você?
Já conseguiu chorar e sorrir pela mesma razão? E ao mesmo tempo?
Já quis voltar no tempo e apagar alguns dias da sua história?
Não ter feito algo…? Não ter conhecido alguém…? E, assim, secar tantas lágrimas antes delas correrem?
Cada lágrima deixa uma marca…
Seria bom se a gente pudesse separar só as partes boas do meio das lembranças de nossas vidas (quando sobram algumas, claro!)…
Já me vi olhando pela janela, olhando para lugar nenhum, tentando achar as memórias que eu, às vezes, perco. Só que, assim que eu as encontro, eu tento me desligar delas.
Já me peguei colocando para tocar aquela música especial só para me lembrar de coisas que eu quero esquecer.
Já engoli o choro tantas vezes…
Olhar uma foto, ouvir uma música, ler determinadas coisas, caminhar por algum lugar comum, simplesmente, às vezes pode ser terrível.
Será que dá para lembrar uma história sem lembrar de seu fim?

Eu achava que não haveria problema algum em errar determinados cientes erros meus. Na verdade, eu não me arrependi deles; até porque minha memória tem duração de apenas algumas horas. Fica difícil me arrepender de alguma coisa assim, porque eu esqueço de tudo e erro tudo de novo.
Agora virei escritora de trem. Até que este meio de transporte é um lugar bem legal para se escrever. Claro que, numa hora em que o trem não estiver cheio. No Central de manhã, por exemplo, não rola! Nem se eu não me incomodasse com a falta de privacidade, do fato de eu viajar de pé, de eu estar sendo apertada, sentindo cheiro de creme de cabelo misturado com mau hálito e de volta e meia levar livradas na cabeça (…), não seria um clima muito inspirador.